Agridoce

Tuesday, July 19, 2005

Anjo

Estou com frio, estou doente.
Há algumas horas atrás eu estava sorrindo, o que não quer dizer que eu estava feliz.
Quando eu fico assim “feliz”, vem um anjo triste, fudido e cansado, e me traz um dos bens mais valiosos, a depressão.
Ele diz que assim eu ficarei bem, eu tento não acreditar, mas na verdade eu sei, ele tem razão.
E então, o anjo me joga na escuridão, num quarto vazio, sem som, com janelas tristes que me revelam uma paisagem de tijolos.
Eu fico ali, tentando entender se é isso realmente o que eu quero, às vezes eu penso em sair desse quarto, e ver como é o mundo lá fora, ver que ele é como eu penso que ele é. Na verdade, eu sei o que acontece, mas não falo.
O anjo aparece. Ele sabe no que eu penso, e diz que sou um idiota, que corro atrás daquilo que eu mesmo sei que não existe, ele ri de mim, afinal, ele tem razão.
Ele me dá um presente, uma caixa. Dentro dela, uma boneca retalhada, com fios de cabelos humanos, sem os olhos. Nas mãos, uma flor seca, morta, gelada. Eu agradeço.
Afinal, tudo que ele me trouxe é bom, e eu sei, ele sabe, eu acredito nele.