Agridoce

Friday, January 06, 2006

16

Já não consigo ter
O entusiasmo de criança
A vida é curta pra viver

Me beije agora que estou velho
Nós poderíamos sair e beber essa noite
Só pra esquecer um pouco
Esses dezesseis

À noite não vejo estrelas
Minhas lágrimas se misturam
E meus olhos vermelhos e inchados
Não me deixam perceber

Teu rosto no espelho
Meu rosto a desaparecer
Seus olhos me perseguindo
Minha barba por fazer

Ao tempo:

Ao tempo...
Quando ninguém mais puder lembrar
Quando um brilho ofuscar uma mente
Vou esperar o sol perder o tom
Capaz de brilhar

Sonhos quase reais
Algo que é
Sem nunca ter sido
Visível sentir
Em intenso relembrar

Outra vez se foi
Vou esperar o tempo parar
E se me disseres: "volta"
Num breve suspiro
Partirei sorrindo, então.


Não volto mais

Ensaio

Distante a ti
Eu posso me ver
No teu espelho, corpo, refletir.

De teus olhos faço lágrima
Em teu peito aberto nu em pêlo
Faço alma
E desenho tela, corpo.
Um pincel de fios de cabelo
Teu lençol
Reclinar em teu riso
Lindo, morena, sorri.

De tua imagem faço retrato
Um quadro bordado, amarelado, na estante do meu quarto.
De tuas palavras faço prece
Abdicado seja o gosto dessa oração

(Prova minha boca em teus ouvidos)

E te faço anjo
A quem invoco imaginação

Deixa assim...

Já não me importo mais
Ninguém consegue ver além de mim
Já não sei dizer o que se passa aqui

Quem te faz sorrir?

Eu vi os pássaros no céu
Eles vêm em mim
E me levam daqui

Clareia amanhã!
O Sol vai me esconder
Aonde ninguém vai me tocar
Chame minha atenção
Quando eu estiver em outro lugar

Já não me importo mais
Em ver o tempo em mim
Deixa assim...